26.1.07

Por que fez isso conosco?

Por que?

Por que fez isso conosco?

Pensei que nos amava, mas nós eramos sua praga
Você embrulhou meus sonhos e os jogou em um rio
Vejo hoje o meu sustento, meu espelho, pelos cantos, triste
Vejo meus frades sem norte, sem oriente...

Por que fez isso?

Não fomos suficientes para sua satisfação?
Seus sonhos loucos são mais coloridos do que nossos rostos?
Minha princesa presente não te assegura mais, por que?
Nunca fomos verdade para você, fomos pesos...

Por que roubou minha felicidade?

Não acredito mais...
Não me relaciono como se deve...
Não confio nas pessoas...
Não entendo a ninguém...
Não sei amar mais...
Não faço planos...
Não quero mais...
...Andar...
...Viver...
...Maculado...
...Para sempre...

Não sou mais o mesmo, sei que jamais serei
Meu respeito próprio se esvaziou de mim
O mundo se tornou uma caixa de papelão
Ando apressado pelas ruas, por que assim me fez
Sem pisar a calçada molhada, com medo...

Um pote de pílulas que avisto me abre o caminho
Meu cigarro consome-se em brasa no cinzeiro do esquecimento
Me perco na fumaça e em retratos, eram tudo mentiras
Me apanho chorando solitário...

Ainda sem entender...

Por que mamãe?
Por que?

O Último Grau Do Macaco Sem Pelos

Eu tento não conflituar o meu existir, mas como? Estou com 28 dentes na boca e tenho um erro rasgando minha gengiva na parte mais alta de meu maxilar. Chamado “Ciso”, um nome bem idiota no meu ponto de vista, me é tido como um pé nos colhões.
Também tenho notado uma estranha coceira em minha garganta, tal qual uma alergia. Mas o que diabos é uma alergia? Acho que é tudo que nos tira a paciência. Eu sei que a minha já foi pro espaço, me pego emitindo ruídos tentando em vão dar fim a este incomodo.
Hoje fui trabalhar, e pela manhã senti uma dor nas costas terrível, acho que é por eu estar passando tempo demais sentado, mas quando fico em pé o que dói são meus bagos. Me pego entre “a cruz e a espada”, sentir dor nas gônadas ou me sentir um velho em pleno auge da minha jovialidade. Meus 23 anos me foram castigados em minhas costas como o açoite de um chicote. Não que eu seja um “reclamão”, mas pra mim fica difícil entender essas dores sem motivo, tal qual o mercado de trabalho e todas as outras babaquices que fazem essa esfera de embromação girar.
Quanto a vocês, fodam-se, eu falo a verdade, me é de praxe, talvez por isso mereça mais essa pena. Aquela teoria da verdade é pura mentira, é um paradoxo fodido que contamos aos trouxas. Não me sinto completo nesse tempo, acho sempre faltas graves na vida e no seu desenrolar. Talvez seja pela minha condição financeira. Sempre quando estou com alguma “merreca” no bolso fico pensando em quando terei mais. Isso me impede de fazer um gasto tranquilo, as vezes até consigo, mas depois paro pra pensar no quanto está dificil ganhar algum dinheiro com honestidade.
Sabem, eu sou um fracassado, mas por falta de opção. Meu julgamento de bem e mal não me deixa arrancar nada de ninguém. Talvez se eu não pensasse tanto nessa porcaria de humanidade e conceitos eu estaria rico rindo de todos.
Olha, isso me lembra até quando quebrei algumas costelas, preferi ficar meses com a dor do que me sujeitar a pagar 80 reais a um médico para que me receitasse um analgésico. Isso mesmo, eu me lembro muito bem de como é dormir em uma fornalha sem um ventilador, dinheiro não nasce em árvore doutor. Em um SUS... Deus me livre, prefiro morrer do que apertar a mão do descaso. Não que eles não salvem ninguém, um jogador de futebol por exemplo não pode passar muitos jogos sem fazer gol, saca? Eles tem que numerar a favor algumas vezes.

Hoje de manhã cortei as unhas e me senti uma besta. Uma planta tendo suas folhas podadas. Ai pensei na hora do almoço, “isso coloquem minha tigela com comida para que eu possa me alimentar”, tal um emprego, isso novamente, tal essa filosofia de vida estranha. Nossa, é desgastante, existem pessoas pagas para esse tipo de coisa. Existem muitos empregos inventados, chegam a me trançar as tripas. Na verdade, é que coisas patéticas me acontecem, este é o problema.
Posso ser considerado um doido varrido, mas vejam bem, não sejam estúpidos. Olha ao que se resumiu a vida. Uma luta diária pelo mantimento. Vida ou luta? Vida ou sobrevida? Isto não é um apelo, viver o normal é apelar.
Algumas pessoas dão risadas da minha visão, lógico eu olho de baixo. Nunca bajulei desgraçado nenhum, e nem que eu tenha que fazer de marquises minha morada não mudaria meu pensamento. Sou animal, porém um dos mais racionais, coço minha barriga e olho em volta. Apanho um cigarro e o fumo, sem sentido algum, penso eu... dou dois tragos e o apago, me sinto tolo.
Quando estou com uma quantia boa no bolso me pego iludido, vou até bares, o que eu procuro? Saio pela noite procurando satisfação pra minha libído. Consumo coisas e me sinto mimado, por fim tudo é igual, até quando me dou bem me sinto um doente atras de cura. Em casa ao chegar do trabalho como um pão, apenas para abastecer, sem querer, só por nescessidade, acho bizarro. Me olho no espelho, hora de fazer a barba. E todos atrás de sonhos dementes, assim como me notam. É, deixamos o que realmente importa de lado. Continuemos como macacos, e sem pelos, o que é pior. E o dom da razão? O temos mesmo?

Liberdade Porra Nenhuma

Democracia e burocracia
Uma calunia, a utopia
Me julgas liberto
Mas a hora é de odiar

Aprisionado a esta relidade fodida
Sem status
Sem valor, suicida

Vivendo nas margens
Pelos cantos de minhas viagens
Vejo a verdade
Vejo toda a sacanagem

Me fora dada a alforria
A carta dos retardados
Uma liberdade promíscua

Não sou livre, ninguém é
Não existem livros, paginas que viram
Só essa ridicularidade vivida
Apenas malditas mentiras

Libértas

O objeto que sou
Quer ser estudado
Sem lógica
Sem padrão...

O pensamento
Quer libertar-se
Quer destruir
Reconstruir...

Não sejam como eu
Apenas escutem
Não sou nada
Porém vejo tudo...

Sou um perdedor
Sou o vencedor
Sou rótulo
Sou o que quiserem...

Entendam-me
Percebam
Abram os olhos
Abram a mente
Abram o coração...

Saiam por ai
Sejam o milagre
Sejam liberdade
Sejam sabedoria...

O objeto que sou
Sem lógica
Sem padrão
Floresceu assim
Melhor...

11.1.07

Todo Domingo Eu Penso Em Suicídio...

Acordo pela manhã vindo de um sono mal dormido
Acendo um cigarro já com o coração partido
Olho pra minha filha dormindo e penso no futuro
Não me sinto tranquilo por ela, não me sinto seguro

Sei que as coisas aqui vão de mal a pior
Mesmo se eu me drogasse não me sentiria melhor
Escuto o barulho de fogos de artifício
São hipócritas nas ruas fazendo comíssio

É época de eleição, e nas ruas há uma maldição
Cartazes por todos os lados pertubando minha visão
Subo no muro e olho ao redor com o pensamento vago
Ainda sonolento e fraco dou mais um trago

Vejo as pessoas balançando bandeiras, é uma tortura diária
Será que não entendem, essa gente mercenária
Tentam me convencer a votar, com panfletos, em alguém que eu não quero
Mas eu já estou decidido, meu voto é o do bobo, zero, zero

Cuspo no chão, jogo a guimba fora e entro puto
Vou me confinar no meu quarto, estou de luto
Esse país está cada dia mais sem critério
Porra, eu já devia mesmo era estar num cemitério

Vejo o Menor deitado dormindo, veio de uma noitada
Ele me chamou pra ir, mas pra que? Não ia mudar em nada
Iamos ficar igual a dois palhaços num saco cheio de nada
As pessoas estão muito estúpidas e a vida limitada

Provavelmente ele encheu os cornos e voltou pra casa frustrado
Nada diferente acontece a noite, se tú tá duro e sem um carro
Foi melhor mesmo ter ficado em casa vendo um filme de sexo
Lá fora tudo é monótono e aparenta não ter nexo

Eu poderia ir ao shopping hoje com a Viviane e a Ana Júlia
Mas eu só iria para satisfazê-las, lá meu estômago embrulha
Pessoas andam e compram, homens, mulheres, crianças, amigos e amigas
Puxa lá não tem cor nenhuma pra mim, as pessoas me parecem formigas
Ficam numa chupação de pica de dar medo
É tudo sempre a mesma coisa e eu iria querer voltar cedo
É melhor eu pensar em outra coisa mais do meu agrado
Mas nada me agrada, estou ficando um cara chato

Ligo a televisão pra achar satisfação
Mas é em vão, não consigo gostar nem do Gugu nem do Faustão
A televisão domingo é mesmo uma podridão
Uma penca de artistas de merda, maior bajulação

Felipe Dilon, Perla do funk, artistas globais, KLB
Cara é tanto farsante que eu nem quero ver
Não sei como tem tanta gente que gosta
É como o McDonald’s, eles adoram comer essa bosta

Desligo a tv, senão vou me emputecer
Os filhos dos artistas não precisam se fuder
Aparecem cada dia mais e mais, mesmo sem talento
Eles tem um pistolão e aproveitam o momento

Acendo outro cigarro, preciso me punir
Sou humano como eles, que vergonha, parece que vou explodir
Preciso beber alguma coisa, preciso fumar um beck
Preciso esquecer que estou num pais governado por moleques

Quero ir até algum lugar para beber uma cerveja
Mas meu bairro está em ditadura agora você veja
Posso ser mais um na lista, posso estar ameaçado
Estarei sempre condenado pelos erros do passado

Saio na rua sem me sentir a vontade
Fico pensando aonde estão e o que fazem esses covardes
Estão matando e sequestrando pessoas
Enquanto os verdadeiros canálias vivem a vida numa boa

Meus vizinhos são ignorantes e sempre me julgam tanto
Estão precisando se olhar no espelho, será que se acham santos?
Acho que a humanidade está toda assim
Se acham tão bonzinhos, o papel de vilão fica pra mim


Começa a escurecer e eu escrevendo, quase me pus a chorar
Graças a Deus ainda tenho o que comer e um teto pra morar
Minha família dividida me deixa sem chão
Tudo bem já engoli a dor meu irmão

Passei a tarde toda escrevendo poesia
Mas ao ver de todos continuo um parasita
Tudo bem se não enxergam os verdadeiros valores
Deixo a todos com seu circo de horrores

O Pânico é a única coisa na tv que me faz sorrir
Eles fogem do trivial é isso que me faz curtir
Gosto de ver os magnatas sendo humilhados
Eles não conseguem lidar com a situação, não estão acostumados

Estava quase me mijando de tanto rir
Mas vi algo que fez meu pensamento divergir
O presidente da Rede Tv, um careca velho barrigudo, casando com um avião
Ela realmente deve estar apaixonada, e por que não?

Vou até de noite nessa prisão que é o mundo
Sem dinheiro fico no buraco mais profundo
Mas se eu tivesse dinheiro o que iria fazer?
Talvez fosse comprar um bom livro para ler

Talvez, não quero fazer o tipo intelectual
Prefiro com o que me julgam, um marginal
Marginal pois quero estar a margem desse sistema
Não quero me enquadrar nesse maldito esquema

É, vou encerrar por aqui com meu mundinho de plástico
Já estou ficando deprimido só de ver o fantástico
É como uma revista idiótica feita para os ricos
E eu sou só um caidinho vivendo de bicos

Penso em trabalho, e acho exploração
Penso em estudo e acho enganação
Prefiro fazer as coisas a minha maneira
Onde o homem põe a mão a coisa se torna faceira


O capitalismo é a maior mentira que eu já vi
Botam uns contra os outros, faz degrais, eu percebi
Segunda-feira vai chegando, ligam denovo esse motor louco
O problema do dinheiro é ter muito ou se ter pouco

Pra mim a vivência cotidiana é muito sofrida
Nunca imaginei chegar a esse ponto em minha vida
Mas isso não significa que eu queira morrer
Eu espero ainda ver a minha filha crescer

Talvez meu pensamento seja mesmo distinto
Mas olhem ao seu redor, é questão de instinto
O que me faz pensar na morte é ver que não existe esperança
Quero viver diferente mas sou obrigado a dançar essa dança

A arte e a música, que é o que interessa para mim
Padronizados, e eu sem me vender decreto o meu próprio fim
Cansei de lutar sozinho, sem ter um lugar para chamar de lar
Cansei de me humilhar, de rastejar, de viver a me arrastar

Mídia, tecnologia, moda, medicina, conforto, liberdade
Segurança, política, polícia, estudo, trabalho, tranquilidade
Tudo vendido e a vida imitando o vídeo
Estou ficando sem saída, empurrado ao suicídio





Magheize.

MEU SARCASMO NUTRIU-SE DO QUE EU HAVIA FUMADO

Posto aqui, como um rato em uma gaiola estou. Minha prisão são meus ossos e carne, me faço notar. Acho que vivemos de forma insegura nas nossas mazelas diárias. E por que tal fato? Hoje tal qual um filósofo, me ponho a questionar todos as leis que nós criamos para nos dar freio. Será que precisamos realmente disto? Será que somos irresponsáveis demais para vivermos livres?
Não tenho parte no movimento anarquista, tampouco sou extremista e libertário, o motivo que me põe em questão é ver o quão enjaulados estamos pelos padrões já prescritos pelo homem.
Por qual motivo segue o homem, doutrinas, partidos, religiões? Será o homem tal qual o animal irracional, sobrevivente apenas de um ciclo confuso?
Tenho comigo uma dúvida cativa, o porque de sermos tão minguados e amiudados. As pessoas são como facas e o mundo tal o queijo, é simplificado devéras. Não há mistério no fenômeno humano. Tenho para mim que a humanidade está ao revés de si própria. Forçando a falta de intelecto nessa corrida pela taça. Somos além disso, muito mais do que meros competidores. Impondo limites para tudo, taxando rótulos e nos emaranhando, caindo em nossas próprias arapucas.
Hoje vejo com olhos comedidos o estar dos acontecimentos. Vejo as nescecidades modernas e as acho graça, já não me importo, e posso entender que a maioria de nós foi roubado de seus ideais, fora raptados de suas evoluções.
Aqui, encostado em uma árvore, com meu cigarro aceso, ganha corpo o meu pensamento, e consigo enxergar mais e mais. Já controlando minha paranóia sequelante que tenta me tirar do pensamento correto e de todas os contos de fadas que me contaram no caminho percorrido. Posso novamente amar a humanidade e achar piada o motivo que nos desliga de nossas verdadeiras virtudes.
É tão patético....

Humanos Me Dão Nojo

Guerra, algo que aterra, idiotice que enterra...
Política, titica, um infeliz que me critica
Polícia, vejo-os com malícia, desuso, abuso

Fama, algo pra quem não ama, lama
Luxúria, me causa fúria, penúria
Mídia, uma puta gorda, digamos, Cinthia...

E minha certeira visão
O copo de cerveja de um ladrão
Um prato fedido de miojo
Nos condiz, humanos me dão nojo

Pilantragem, caixa dois
Muitos, sem feijão, nem arroz
Saúde, dinheiro, nem te iludes
Poder, diabos, ora, vão se foder!!!

E tudo que há de escroto
Tudo que não adianta
Algum dia estarás morto

Todos que conduzem no erro esta nação
Que nos fazem de otários com perversão
Tantas trapaças que este país carrega neste estojo
Me fazem lamentar novamente
Humanos me dão nojo!!!

Frutas Na Mesa, Vazio No Peito

Detive-me na emoção de um vazio
No quarto amargo
Deitado ao chão, um arrepio

Vejo a comida e ele diz
O que há com você?

Me de atenção! Ela implora
Porém nada oferece
Me atordoa a memória

Já me vou, diz o outro
Sentia-se oprimido
Tristeza, sufoco

Olho a mesa farta
Porém não me sinto como a tal
Em parafusos, susurro a mim
Animal!

Frutas na mesa, mentiras no ar
E eu ingrato, não consigo atuar
Seria como relinchar

Meu sentido é como o espaço
A agonia e dor, o oco
Que me desfez os laços

Hoje perambulo
Escasso, um palhaço
Um caco, um pedaço roto de aço

Farrapos, farpas e migalhas
Olho do alto minhas tralhas
Nada a comentar

Esse meu mal
Meu inferno moral
Refletindo infeliz
Bem feliz
Posto ao natal

Um vazio no peito,
Todavia cercado
Tal uma resma de papéis
Ainda sinto-me abandonado

CRER

Sempre em busca de um novo verbo pra viver
Na tolice do crer
Subjulgamos, desunidos, limitados a nós mesmos
Iremos perder

Eu creio
Tú credes
Ele crê
Nós credenciamos
Vós acreditastes?
Eles nos dão algum crédito... fajuto

Porém não se completam objetivos
Aves voam em meio ao otimismo
E ao sórdido, o pessimismo
Lixas em meio ao vento arenoso
Meu realismo é para muitos pecaminoso

E por fim, em nossa beleza
Somos apenas mentecaptos
Larápios, escravos, vassalos
Estúpidos, acreditando o inacreditável

A Nova Poesia Se Caracteriza Pelo Foda-Se A Crítica...

A Nova Poesia Se Caracteriza Pelo Foda-Se A Crítica Unilateral E Seus Malditos Tabus

Assim opino, mesmo errando a concordância e a gramática
Outros raciocínios impares e essa babaquice esquemática

Comi da maçã dos novos tempos e fui expulso do meu paraíso ideológico
Relatado poluidor por possuir um raciocínio claro e lógico

Não podemos repartir o pão sem a derrubada de totens e pirâmides
Criados pela crítica contemporânea, a fantasia de um vexame

Devo eu gritar revolução?
Quem sou para condizer-me com tal fato
Um ladrão de sonhos
Das esperanças, o carrasco?

Levantados serão todos os desprendidos da farsa atual
Do mundo incorreto e suas engrenagens fétidas
Criadas para um mundo normal anormal

Aos tolos suplico-lhes racionalidade
Aos espertos peço-lhes boa vontade

Criando prosas e versos em meu labirinto concavo e convexo...
Meu brinde aos novos poetas...

Donos destes dizeres maravilhosos
Perdidos nesse solo sem nexo...