27.2.07

Marcado pra morrer

Tenho andado na bruma da noite, me escondendo pelos becos e cantos sombrios da sociedade. O motivo é um só, acho eu que alguém deseja dar fim a minha vida. Não que isso me deixe entristecido, morrer não é tão ruim assim, já morri muitas vezes mas continuo respirando. Tudo acontece na surdina, e sei que pessoas estão perecendo aos montes. Já ouvi rumores, já chegaram até mim as lendas urbanas e fofocas de pessoas que precisam atear fogo nesse tipo de situação.
O que será que faz com que pessoas apaguem a chama de uma outra? Do que se alimentam esses malditos?
Agora, se eu morresse não seria grande coisa. Seria apenas mais um número, apenas estatística. Não mudaria nada, as pessoas não deixariam de comprar um jornal pela manhã, tampouco diminuiriam as filas nos hospitais públicos. O mundo continuaria hipócrita junto aos seus loucos. Acho que eu deixaria de ser um fardo para todos, eu sou a poluição em pessoa.
Não sei o que se passa por trás de toda essa máscara, mas algo eu aprendi nesse caminho torto que fiz pela vida, não se chega até a paz com a guerra. Não se conserta um erro com outro.
Talvez eu mereça esse cálice, talvez por ter tido eu uma vida marginal. De repente eu serviria de exemplo para pessoas em comum, a sociedade feita de homens de negócios não precisa de um poeta fuleiro como eu. Façamos melhor, me enterrem junto com a cultura, pois me sinto tão invisível como tal. Todos irão continuar vivendo suas rotinas cegamente, sem lutar pelo que realmente interessa.
Bem, acho que é isso. Não tenho valor algum aos olhos das pessoas. Minhas qualidades se escondem por trás dessa fumaça que me rodeia.
Acho que deixei as pessoas rancorosas, passei dos limites da sociedade. Mas por que as pessoas se limitam? Talvez se estivessem em minha condição sairiam de suas casas e tentariam viver intensamente como eu fiz.
Posso ter prejudicado alguém, mas Deus sabe que meu coração é puro, dentro de mim há o conforto, não sou nenhum monstro, sou boêmio por natureza, adoro remar contra a maré. Minha satisfação é sentar o cacete nesse padrão ridículo de vivência, meu auge é pular por sobre as leis, é passar por cima de tudo isso que nos torna infelizes. Se por isso eu mereço a morte, que venham. Podem vir, podem me alvejar e por fogo no meu corpo, minha alma é livre, livre tal qual meu pensamento.

Desta Vez Vou Beber Chá E Não Vou Quebrar Nada

Vou me vestir colorido e acenar
Vou pentear os cabelos e fazer a barba
Vou ser mais formal e menos sarcástico
Serei mais medroso e mais alegre

Vou ficar quieto sem afrontar, sem criticar
Vou consumir e não vou impregnar
Não deixarei meu pensamento exposto
Serei normal e flexível

Viverei um dia sem a ferida
Não questionarei os limites
Não acenderei fogueiras
Serei tedioso, não serei sedicioso

Vou beber chá e não vou quebrar nada

Para ser aceito
Para ser opaco
Para ser mais um...
Fingirei...

Mas só desta vez...

Amanhã vou esculhambar com tudo de novo...
Amanhã voltarei a rir de tudo...
Darei uma festa...
Deixaremos a bunda exposta a sociedade amanhã...

Que tal ás 7 da noite?

17.2.07

TRANÇANDO NERVOSO

O espirro lava a alma,
O copo d’água...
A fome platônica...
Sinto-me numa sinfônica...

Dedos amarelos,
Coração acelerado...
Olhos abaixados...
E no espelho,
Vermelhaços!!!

No cérebro, caminhos nervosos.
Sentidos, sentimentos
Vazio nos órgãos e ossos.

Daí me vejo, estou só, sentado,
Doido, abilolado
Bebendo chá...
Escrevendo no meu quarto.

Me Sinto Tão Só

Sentado em um lugar imundo
Nessa mesa só um copo me acompanha
Sobe e desce com o único objetivo
Me fazer esquecer...

O azedume que paira sobre meu espírito
Instigado pela ausência de esperança
Me faz desejar a morte mais que tudo
Me faz esquecer...

Nas profundezas errôneas do meu pensamento
Carrascos me castigam sem piedade
Ao olhar o mundo ao meu redor
Me faço esquecer...

A vida dança em minha frente me convidando
Mais meus olhos estão perplexos
Cheios de vidro e lástimas
Preciso esquecer...

Só um copo me acompanha
Uma dezena de garrafas
Um corpo sujo ao chão
Esquecido...

CARTA AOS RETARDADOS QUE ME REPELEM

Muito bem... critiquem...A crítica é algo valioso, porém não tenho pretensões algumas...Eu escrevo para mim e os erros de português são naturais afinal não sou uma máquina, preciso revisar alguns textos porém sou preguiçoso demais, sacou? ...Eu escrevo desde os quinze anos e reconheço que muitas coisas ficaram ruins, mas quem não escreve? Eu procuro amadurecer, agora vocês pegam apenas a capa do que pus no canal e já saem metralhando.O que eu devo fazer queimar alguns textos e mostrar só o que realmente ficou bom? Ai eu estaria sendo covarde... por que ao invés de julgar vocês não procuram alguma coisa boa no blog?Eu não quero ser herói nem vilão cara, mas há de se ter coragem para revelar pensamnetos íntimos...Eu gostaria que as pessoas refletissem, isso que é o sair do transe... se vocês não sabem aqui no Rio estamos a beira de uma guerra civíl e ninguém ao menos tenta fazer algo a respeito, sei que num canal onde é exaltado o nome Bukowski figuram pessoas mais providas de intelecto por isso postei aqui. Pensei que a inteligência era visão, porém já notei que não, aprendi...E por falar em respeito, modero a opnião de todos daqui e obrigado pelas críticas me trouxeram muitas felicidades...Outra questão, EMO é só um padrão inventado para nascer mais um preconceito idiota, pensem nisso...O personagem Jonny é baseado em um cara real chamado Jônatas, é só um apelido, não creio que eu seja digno de ser mandado tomar no cú por essa implicância...Aliás eu prefiro essa chuva ácida de questionamento e críticas do que meia duzia de bajuladores me congratulando sem sequer ter lido algo do blog...E para finalizar com as hostilidades, enquanto eu sofria e escrevia em minha adolescência muitos de vocês já eram adultos, parem para pensar, em suas pré-juventudes vocês foram tão brilhantes assim que eu mereça ser excrachado?CARA, ATÉ BUKOWSKI AS VEZES ERA UM PÉ NOS COLHÕES, É SÓ RELER MIXTO QUENTE, DIGAM QUE ESTOU ERRADO...ENTÃO UM FORTE ABRAÇO A TODOS E VÃO TOMAR NO CÚ!!!

Coração De Amores E Conflitos

Na dúvida das minhas decisões
Perdido no escolher
Deitado no sim e no não
Uma prece me vira do avesso
O choro mistura-se a saliva no chão

O corpo nada mais além que de um cão
Perdido na fúria do sofrimento
Mãos erguidas, pedindo perdão

Meu peito cheio de ilusão e ânsia
Em um mar de questões, náufrago
No existir de um homem oposto a ganância

Afinal nunca vivi próximo a certeza
Não consigo enxergar nem a beleza
Nem consigo dar de frente com a razão

Triste ser que perdeu o objeto
Não consegues mais andar nesse inferno?
Na solidão, no esquecimento eterno?

Então o que vês é perdido para sempre
Na cegueira obtusa, o tormento
E mesmo se tiver valor meu pensamento
Não consigo enxergar o meu talento

Minha visão de um mundo mais conciso
Desejar coexistir com a paz
E ao longe ver tudo se desmanchar
Enche-me o coração de amor e conflito

CRONICAS DE UM MACACO SEM PÊLOS

- Olha lá cara!

Um cidadão todo ensaguentado ganhava a nossa atenção. Era mais um idiota que havia tomado “bomba” em janeiro, tinha se preparado para o carnaval e tentava cumprir o seu legado primitivo.

- Pô, o cara pisou no meu pé.

Acho que lhe faltava cérebro, agora mais ainda. Alguém havia estourado uma garrafa em sua cabeça, que palermas. Praia, sol, bebedeira, xoxotas aos montes e os cretinos conseguiam arrumar tempo para brigas e discussões tolas.
Bebiamos e assistiamos a todo aquele espetáculo, era até que proveitoso como objeto de estudo, todas aquelas pessoas caindo em suas próprias armadilhas e eu as via como cobaias. Estava ficando mais esperto as custas deles. Estava entendendo o que eu não deveria fazer. Deveria ficar longe delas, assim permaneceria são ou pelo menos iria me diferenciar de alguma forma.

12.2.07

Escrever Sem Compromisso

As vezes me apanho sem nenhum sentimento no peito. Apenas um vazio imenso. Como se eu estivesse em coma. Parece que meu sub-consciente faz isto de propósito afim de me proteger dessa radioatividade e dessa poluição sentimental contrastante.
Sofrer pelos demais seres que habitam esse mundo é o meu destino, mas por qual motivo? Me parece que sou uma espécime diferente. Ando por ai vendo tudo com meu olhar implacável, acumulando dor. Tento relatar minhas angústias proseando, escrevendo sem compromisso para que num futuro, talvez até próximo, quando eu for chamado a verdadeira vida, todos possam tentar entender um pouco da minha pessoa. Não que eu queira fazer fortuna, tampouco quero ser reconhecido como poeta ou escritor, só quero servir de inspiração para pessoas em comum.
Queria gerar uma reflexão no coração das pessoas para que pudessem se livrar do pavor. Queria causar um conflito dentro de cada um, afim de que, todos enxergassem o quão fútil é viver atrás de sonhos de consumo. Fazer nascer um sentimento virtuoso de fraternidade dentro do peito das pessoas para vivermos de uma forma melhor, dando fim a toda essa exploração que vivenciamos dia após dia.
A vida é assustadora, não do ponto de vista daqueles que são beneficiados pelo luxo, mas sim vista como um todo, é melancólica. O sistema nos suga vitalidade e nos joga uns contra os outros.
Não consigo comer todo dia sem pensar nas pessoas vivendo como animais, me sinto desprezível. Reclamando banalidades, as vezes, enquanto o mundo se afunda na merda.
Não quero parecer hipócrita. Serei eu tão santo? Não, nada disso, não me entendam mal. Eu sinto realmente não poder fazer nada para mudar esse quadro, porém não sou nenhum exemplo a ser seguido. Eu adoro me embebedar e puxar uma erva. Sou como qualquer um que respira. Um transeunte relatando problemas, mas desarmado de progresso. Apenas escrevendo sem compromisso. Espalhando e mostrando a verdade imperecível, sem ser o dono da verdade, mas com um certo teor de razão.
Entendam, não existem meios de divergir de todo esse problema sem a conscientização das pessoas, sem união. Uma brisa não move um barco a vela, porém o vento por inteiro o faz, assim como todos revolucionando suas ações e seus pensamentos, constantemente, penso eu, talvez haja ainda solução.
Escrevendo eu, sem compromisso, tento levar comprometimento as pessoas, para que se tornem críticas. Tento levar um pouco de paz e esperança para pessoas que como eu, já desistiram de serem felizes e deixaram seus sonhos para trás.

O COSMO É CÔMICO

Astronautas vistos como artistas circenses
A galáxia e a televisão, o picadeiro
Demontrando a “normalidade” e o engraçado
De algo que já torna-se costumeiro

Conspirações e fraudes se entrelaçam
Uma novela da vida sarcástica
Apresentou-me o comum humanismo
Composto de um mundo de vidas plásticas

Enquanto superaquecemos em ignorância
Anedotas figuram em constância
A Terra em sua translação rente ao fim
Paralela a podridão contada por mim

Mil e quinhentos quilômetros de vingança
Spray de pimenta e ira em abundância
Depurando nas calças tal qual um demente
Amostra-nos com verdades o estado dessa gente

São poucos aquém a essa realidade
O certo virou o ridículo, o covarde
Magnatas esbanjando maus exemplos
E eu aqui pergunto-me, ainda há tempo?

Vejo as pessoas em um teatro enfadonho
Então prefiro relatar o riso á dor e os sonhos
Nosso cosmonauta na lua, foi o rei dos palhaços
Que legal... bandeira do brasil, dinheiro do povo
E agora o planeta...

Indo para o espaço...

Meus Versos...

Despertam cegos
Libertam os egos
De uma pálida nação...

Por vezes foram banidos
Malquistos, assassinos do infinito
Cálices para a pré-razão...

Presos por anos, humilhados
Injustiçados, estéreis e fracos
No deserto da confusão...

E hoje deleito-me nesses versos
E mesmo que se façam dispersos
Libertam-me da imprecação...

Esse estrilo é o meu refúgio...

É tudo o que me resta
Pois sinto-me um penetra na festa
Desse gado que vive a ilusão...

Assim meus versos fizeram-se ácidos
Flexíveis e flácidos
Denúncias, indignação...

E quando verso a certeza
É jubilada toda a tristeza
Solidão desfaz
E traz satisfação...

TOXICÔMANO

De manhã...
Despertador agride...
Água lava triste...
Escova de dentes, incomodar...
Olha no espelho, barba, deixa pra lá...

Ônibus lotado, suvaco na cara...
Comprimento no vácuo...
Cartão de ponto, tá na mão...
Atrasado denovo eim meu irmão!!!
Demissão...

Irritado pelas ruas, lembranças...
Filha pequena... nescessita...
Mulher... consumista...
Banco... dívida...
Analista...

Compra jornal, procura emprego...
Vê o caos do país...
Política, sensacionalismo...
Desassossego...

Vaga para dirigir a noite...
Perigo, medo, açoite...
Aceito, talvez a morte...
Solução...
Família, criança espera em casa...
Morrer? Melhor não...

Um ligeiro alívio...
Copo de cerveja na mão...
Um cigarro, vício maldito!

Lua no céu, beco sinistro...
Trocar dinheiro por prazer, ilusão...
Armas, descaso, ódio...
Sair correndo...
Merda, fui visto...

Sociedade hipócrita, louca...
Tapa na cara, bate martelo...
Vai morrer rapá!
Uma voz rouca...


Pula o muro...
Guardanapo na mão...
“Desberlota”, aperta...
Esconderijo, “bolação”...

Isqueiro ilumina...
Mente descansa...
Amanhã é outro dia...
Esperança...

Chega em casa...
Olhares espantados...
Tá abatido, cara...
Janta igual a um tarado...

Liga a televisão... em vão...
Nada presta, nada interessa...
Perdição...

Uma cambada de baba-ovo...
Dormir...
Amanhã...
Tudo denovo...

6.2.07

RASTEJAR E VIVER

Cinco e meia da manhã
Sou acordado pelo pavor
Um som pontiagudo em minhas neuróses
Que vem de um objeto sem sabor

Levantar-me para construir o que?
Para comprar ou pra vender?
Para fingir ou para esquecer?

Uma carga horária
Mascarar-me até as oito
Uma tortura diária
Me deixa louco e afoito

Dou-me as horas por nada
Alguém tira proveito
E a mim sobra a laca
O lodo, o morto

Minhas vontades em segundo instante
Minha filha cresce e eu distante
Olho meus bolsos, vazios
Minha carteira?Calafrios...
Olho o futuro e me arrepio

Nessa luta mentira
Vejo o quadro social
Consumir, pagar propina
Me sinto tal um animal

E mesmo se o contrário fosse
Não veria a beleza
Quando sentei-me ao meu trono
Olhei do alto com tristeza

Hoje percebo sem duvidar
Não há o inteiro no modo escolhido
Sempre haverão desigualdades
Providos, desprovidos

Então continuemos a competição
Depois não reclamem de assassino ou ladrão
Deixemos os valores tomarem o papel principal
E que cada um tome suas decisões como algo natural

Não falo de anarquia, nem de celibato
É uma questão de geografia
Seremos sempre vassalos

Castiguem meu corpo e roubem minha vida
Carregarei minhas pedras
E aberta essa ferida
Tirem-me a felicidade dando valor a objetos
Num escambo novo, tosco e sem nexo

Agora, meu pensamento não se esconde
Pertuba as cores mas não resolve
Não tira a sanidade do luxo
Como a bala de um revólver

Tenho ainda a esperança
Apesar de imensa a dor no peito
E do ódio que se acumula
Por uma sociedade que não tem jeito

Os que aprisionam meus demônios
São minha filha e em Deus a crença
Senão já teria matado ou morrido
Nesse mundo de indiferença

Continuarei aqui sentado em meus ideais
Fazendo fumaça, passando o tempo
Trabalhando por nada
Rastejando e vivendo

Querer, poder e conseguir

Por vezes deposito crença nesta frase
E levantam-se por dentro bons fluídos
Porém na sobriedade diária
Me pego colado aos dogmas vividos

Querer é poder realmente?
Será tão fácil conseguir?
Por que apenas o que noto
É a vida impondo o existir

Vejo a facilidade sugada ao valor
E o medo do esquecido em apostar seu pouco
E então na prisão realidade
A esperança me esfaqueia com raiva o sufoco

Não é tão simples como este clichê
Querer, poder e conseguir
Apesar do alimento ilusão
Parecer mais confortável por aí

Fujo do rótulo pessimista
Mas na verdade é que nada se conquista
Vejo as pessoas em suas detenções diárias
Esperançosas na mentira otimista

Me pergunto querer, poder e conseguir?
Nascer, crescer e até a morte
Crer no impossível?
Ou agarrar-me ao azar e a sorte?

E em meio ao caos que é o todo
Tento acreditar e persistir
Rezo a Deus meus tormentos, conformando-me
Mas o que quero é poder conseguir

Minha Tristeza É Tudo Que Tenho

Em meio ao pranto induzido
Quase me desprendo, e peço
Sei que as vezes sou até sofrido
Mas recebi algo que não mereço

Pois quando apartei aquelas brigas
Vi você partir de forma estranha
Então desabou o meu mundo
Fragmentou-me, rasgou-me as entranhas

E por vezes quando penso o que tivemos
Sinto que nada mais se resgata
Penso em como éramos felizes
Naqueles anos radiantes como prata

Hoje aqui estou sozinho
E reviro as gavetas do passado
Vejo as panelas sujas, vazias
Ainda não estou acostumado

Vejo aquele que me trouxe a vida
Adoecido, perdido, magoado
E eu, recebi só os estilhaços
Mas também sai arrasado

Agora tento acreditar nas pessoas
Tento entender e seguir adiante
Porém nunca mais fui o mesmo
Meu ódio queima ao ver as fotos na estante

E sei que disso nada sobrou-me
Apenas a visão de um todo faceiro
Que nada dura para sempre
Mesmo quando seu querer é certeiro

Mesmo você destruindo minh’alma
Ainda espero ver teu sorriso
A mim restou a loucura
Um abutre roubou-me o juízo

E todas as noites em que perco a fé
Rezo para que ao menos você seja feliz
Encosto o cano gelado na testa
E só não aperto esse troço por um triz

Pela manhã acordo, sobrevivi
Só não sei dizer até quando
Um dia terão de limpar meus miolos no chão
E cobrir-me o corpo com um manto

Ganância, Usura, Egoísmo, Roubo, Raça Animal...

(G.U.E.R.R.A.)

Folhas cortam meu rosto
Mosquitos se alimentam de mim
Medo, o desconhecido me cerca
O que fazer? Ofegante...

Me escondo nos arbustos
Um homem figura repentino
Não consigo pensar
Estraçalhando seu crânio
Sangue no cabo de minha arma

Corro como um louco
Me deito e rastejo
Por sobre restos mortais
Sangue e terra misturam-se
Me procuram...

Disparos, loucura
Meu parceiro atingido
Vomitando sangue
Uma ultima agonia
Seus intestinos afloram
DEUS!!! Que horror!

Levanto-me em revolta
ARGHHH!!!!!!!
Mais disparos...

Balas rasgam o céu
Arrancando quase meus cabelos
Estourei a cabeça de um homem
Outro cai ao chão sem as pernas

Sou um demônio, uma maquina
Escombros e miséria
Corpos, ódio, mortes
Por lama, ouro negro

Minha família?
Seus olhos, não posso mais
Melhor a morte...

Chegamos a um lugar
Devastado, mais corpos
Preciso descansar
Sobre meu cajado de fogo
Encosto em meu ladrão de almas

Pessoas gritam de pavor
Choro e agonia
Uma criança arrastada pelos cabelos
DEGOLADA!!!

Não creio mais em Deus
E me esvazio a cada dia
Nem sei mais quem sou
Perdi a conta de quantos puni

Molho minhas cartas em lágrimas
Acendo um cigarro
Tomo minhas pílulas
Devo estar com malária

Estou enlouquecendo
Esses barulhos...
Esses disparos...
Me arrancam a razão...

Uma emboscada!
Malditos, desgraçados
Dentes cerrados e saliva
Morram cretinos!!!

O diabo dança em meio ao caos
trevas tomam o lugar por completo
Um baile infernal
Rajadas, explosões, pedaços de corpos

UMA GRANADA!!!

...
...
...

Sinto dor, medo e pavor
Vejo meus pedaços
Um odor de carne queimada
Meu sangue e tripas...

DEUS!!! PERDÃO!!!
Um suspiro engasgado
Tosse!
Tosse!
Preciso viver!!!
Tosse!
Não quero mor..r...
er...

...
...
Em vão...

...
...
...

Emfiem seus emblemas no...

Cansei-me da fraquesa caracterizada
De muçulmanos, judeus, galeses
De aparthaids, de guerras desmotivadas

Se fosse o sol, a dor, o erro
Algo pra se entitular
Seriam bem mais coesos

Já estou bêbado de diferenças
Já me fartei
Com tolices, maldições e crenças

Religiões e culturas
Já basta a vida
Esse punhal que nos perfura

Emfiem seus emblemas no...
Chega de bandeiras
Rótulos, padrões, ele, eu e tú

Escolhendo rostos
Somos apenas obtusos animais
Será que não percebem?
Porra! Somos todos iguais...

CINCO, QUATRO, TRÊS, DOIS, UM, ZERO...

Vaidade e idolatria
A propaganda e a apologia
Na mente a ignorância contagia
Bibliotecas vazias, bestas pelas academias
No corpo a praga que vicia
Dia após dia...

O circo de horrores da beleza
Bisturí e silicone, sobre a mesa
Espelhos, já não refletem a certeza
Só a imagem da tristeza
Velhice, amargura da nobreza
No espírito só a lama e a pobreza...

O mundo em contagem regressiva
Jovens pelas ruas, drogados, suicidas
Enorme desperdício de vidas
Guerras urbanas, milícias
E na televisão só a malícia
Nos “reality shows”, construindo porcarias
Ensinando o erro e a mentira...

A poluição, esquentando o mundo mais e mais
O novo egocentrismo que hoje faz
Pessoas vivendo como animais
E o que realmente importa que é a paz
Cada dia ficando mais para traz...

Corruptos com o mundo brincando
Pessoas podres de ricas, ainda festejando
O amor destorcido, abandonando
O dinheiro escravizando
Os verdadeiros valores se acabando
E porque? Vivo me perguntando
E há quem diga ainda que estou louco, viajando...

3.2.07

CRÔNICAS DE UM MACACO SEM PELOS

..."Fomos na frente conversando quando duas meninas me abordaram.

- Você já beijou duas ao mesmo tempo?
- Éhr, nã....

Sairam me agarrando, me beijaram e me disputaram por alguns minutos. Não entendi bem a situação, mas as admirei. Pena que não pude transar com elas, eu lhes daria uma noite daquelas se soubesse o que fazer.
Não consegui pensar em nada naqueles minutos, era como achar petróleo em um pasto cheio de merda de cavalo. Uma arrancava a outra dos meus braços se revezando, beijavam com fúria e amoleciam no meu abraço, porra eu parecia estar sonhando. Não perguntei nem seus nomes e quando uma puxou a outra para irem embora senti uma mordida suave na boca e então foram arrancadas de mim uma pela outra, parecia que não queriam parar por nada nesse mundo. Fiquei paralizado enquanto todo o pessoal já nos alcançava também bestificados com a cena. Ian me comprimentou, mandou bem parceiro ele disse. Já havia feito sua festa também nos demais dias que transcorriam.
Os olhos azuis e os caracóis pretos das duas ninfas que me estupraram não saiam de minha cabeça, comecei a pensar o porque delas terem escolhido justo a mim. Eu era um desajustado, toda roupa folgava em minha esquelética carcaça, eu não tinha postura alguma e só meu nariz sobressaía em minha face, não posso negar eu era feinho pra caralho.
Acho que algumas pessoas ainda estão libertas de toda a poluição feita pelas novelas, dando ênfase apenas para a estética natural das coisas, como eu. Sei que existem pessoas de visão nesse mundo perverso, e é para elas que escrevo, para que não se sintam orfãs e esquecidas. É para agradecer as poucas pessoas iluminadas que cruzaram meu caminho e chutar o rabo de milhares de fanfarrões que me fizeram perecer. Quero contribuir de uma certa forma para o engrandecimento de pessoas em comum, nem que eu morra tentando, “navegar é preciso”, criar é minha nescecidade, é minha maravilhosa maldição"...

CRÔNICAS DE UM MACACO SEM PELOS

..."Fui até um telefone ligar para casa, não consegui. Porra como estavam difíceis as coisas, até para telefonarmos teriamos de escalar o “Everest”. Mais de dez números em sequência, esses desgraçados cagando dinheiro e mijando em nossas cabeças, nos tratavam como palhaços de circo. Meu cartão fora engolido, quem iria me ressarcir? Voltei puto e frustrado.
Um cão pastor me perseguia na volta me olhava como quem olha para um almoço, até os seres biológicamente inferiores a mim pareciam querer me sacanear. Peguei um pedaço de pau que havia no chão e o atirei em sua direção, o diabo deu meia volta e desistiu de me importunar. Uma velhinha que passava me condenou e quis me dar um sermão, deixei a velha falando com as árvores e segui meu caminho, Precisava de mais cerveja"...

CRÔNICAS DE UM MACACO SEM PELOS

..."A noite era realmente algo de se dar nojo. Pessoas vestidas tais como pavões afim de mostrar suas caldas, todos pareciam faceiros ao meu ver. Os infelizes haviam se tornado marionetes dos padrões. Caras tomavam anabolisantes e andavam sem camisas em um frio de torcer o cú. Enquanto as mulheres perdiam seus olhares em carros e motos. Talvez se eu tivesse usado gasolina ao invés de desodorante, teria conseguido uma trepada com uma daquelas putas.
Não posso me esquecer, também acabei por ficar meio idiota, perdi horas ajeitando o cabelo. Porra, do que eu estava com medo? Eu via algo que ninguém poderia ver. Ali em meio a todos eu me sentia sozinho mais uma vez, então despentiei-me e acendi um cigarro, chega dessa chupação de pau.
Como é pobre o mundo. Pensei. Mas não sentia mais a dor, aonde teria ido a maldita? Fui abandonado pelos meus sentimentos, eu estava vazio e ali tinha me tornado um espectador de um circo de pulgas. Nossa, quanta gente besta reunida em um só lugar, meu pensamento me castigava, ali vendo a todos como animais fazendo jus a esta denominação. Rapazes cochichando uns aos ouvidos dos outros sobre as moças que ali estavam. Peraí! Moças? Rapazes? Não. Moças não se embebedam e não ficam pelas madrugadas a perder tempo, rapazes, homens de verdade, não ficam por ai alimentando seus egos com babaquices inúteis. Ali só existiam macacos ainda não evoluídos cumprindo suas vis existências. Eram como bactérias tentando se reproduzir em um corpo são. Não querendo ser careta, aliás eu não sou nem um pouco é que era uma visão babilônica, todos ali usando dez por cento de seus cérebros, ninguém escapava um pouco sequer dos diâmetros malditos da sociedade. Eu queria explodir com o lugar, que mesmisse da porra. Só o que me fazia sentido era me embebedar novamente.
Depois de alguns copos lá estava eu aceitando melhor todo aquele ritual primata e até consegui jogar conversa fora com algumas pessoas. Aliás não posso esquecer do nome do lugar, “Canal”, um nome bem sugestivo pois ali tudo parecia cheirar a bosta pra mim"...

CRÔNICAS DE UM MACACO SEM PELOS

..."Na praia eu não conseguia parar de pensar em como as pessoas são fúteis, as mulheres com seus bikinis sem pudor algum, deitavam-se e se arreganhavam parecendo não se preocuparem, por que então ficavam putas quando as espiavamos de calcinha e soutien? Na praia ou em qualquer lugar, bikini, calcinha, qual era a diferença? Era difícil de entender, mas mais dificil ainda era não ficar de pau duro. Eu tinha de correr para a agúa constantemente.
De tarde iamos para a casa e enguliamos a comida, voltavamos a praia, desta vez para bebermos cerveja e para tentarmos conhecer algumas vadias. Sentavamos em um bar que haviamos encontrado um pouco afastado da praia e pediamos uma cerveja barata. O dono do bar cagava para nós, foda-se se eramos menores de idade. Era assim em todo o brasil, para tudo se dava um jeito ainda mais se fosse para putaria"...

CRÔNICAS DE UM MACACO SEM PELOS

..."As pessoas acabam ficando umas contra as outras. Ficam cegas e se invejam, puxa, não seria melhor um sistema cooperativo? Alunos mais inteligentes compartilhariam suas idéias com os mais desprovidos. Nem dentro da escola as pessoas pareciam ter visão das coisas. É claro, de onde as escolas tirariam seu sustento se todos fossem alunos exemplares? Eles nescessitam dos repetentes, eles são a garantia de seu progresso financeiro. É como no nosso dia-adia, quem iria querer varrer o chão se todos tivessem curso superior? Quem iria se curvar e limpar um vaso cheio de merda? O rico nessecita mais do pobre do que vice e versa. Imaginem se todas as pessoas das sub-classes da sociedade parassem de trabalhar. Os ricos se tornariam pobres ou teriam que se fuder para tocarem seus negócios. Por isso algumas pessoas pagam um salário razoável. Essa é a garantia que eles tem contra uma debandada em massa dos trabalhadores. Pagam um bom salário para um ou dois funcionários para que regulem aqueles que ganham o mínimo. E os pequenos e desvalorizados vivem numa espécie de rodízio entram e saem de seus empregos como moscas numa padaria, porém não tem valor nenhum pois há uma fila imensa de pessoas querendo ou precisando se foder por migalhas"...

CRÔNICAS DE UM MACACO SEM PELOS

..."Existia um psicólogo na escola, muito bem apanhado, era ruivo com a barba sempre bem aparada e com as mãos nos bolsos, tinha um ar de cara sério. Uma vez fui até a sua sala, não sei por que motivo, mas fui encaminhado. Ao chegar lá ele me fez umas duas perguntas idiotas e me liberou. Então é isso que é ser psicólogo? Sem querer desmerecer, sei que existem muitos profissionais preparados para essa babaquice de mercado de trabalho, mas é foda, o cara estuda por anos, ou finge que estuda, e depois vai gozar a sua vida com um título, exibindo uma medalha, o cara pode ser um bosta, mas se souber fingir ser um bom profissional ele está garantido.

- Seu problema é simples. Você está sofrendo de “neurobabacose fudidil”. Tome dois comprimidos desse por dia e evite cagar as quintas-feiras.
Me parecia muito fácil ser psicólogo, médico, ou qualquer outra merda que fosse, advogado, coreógrafo, confeiteiro, meu saco. Era só ser alto arrumar um emprego e fingir. Logo depois descobriram que ele e mais dois professores estavam fazendo orgias com algumas alunas, que irresponsáveis, que vadias"...

CRÔNICAS DE UM MACACO SEM PELOS

..."As vezes eu saía na rua e um vizinho meu de frente, cujo nome não merece ser citado, vinha para me esculhambar de uma certa forma.

- Ei cara, tu é um bosta mesmo. Veja só, com o dinheiro do meu tênis comprava toda a sua roupa, fora o seu sapato. E se mijava de rir.
- Eu tenho dois Mizuno Arco-Íris, esse que tá no meu pé e outro que esta em casa. E você é um caidinho. E se borrava de rir.

Fico pensando nesse camarada. Que completo idiota. Eu não havia parado para pensar em moda e roupas, até que esse miserável cruzou meu caminho. Eu queria quebrar-lhe a cara, mas algo me segurava, eu odiava ele e toda sua família. Eram uma cambada de caipiras que estavam gozando da pensão de algum trouxa. Sua mãe tinha cara de piranha-velha e era mesmo. Morava junto com uma tia, outra que me parecia ser uma grande de uma puta. E tinha um primo que era um fanfarrão, uma vez eu o vi sair de óculos escuros a noite e pensei, que idiota patético"...

CRÔNICAS DE UM MACACO SEM PELOS

..."Se pararmos para pensar realmente, parar para refletir nem que seja uma vez, sem ser hipócrita, a vida é muito louca. Imagina. Não tem coisa mais esquisita do que o ato de cagar e mijar. As vezes eu me sinto como um carro. Trocando a água do radiador ou largando óleo queimado. Somos um veículo estranho. Nossa mente sim é algo mais complexo. Por exemplo, todo dia escrevo um pouco e me sinto idiota por estar escrevendo. Fico pensando. O que eu quero com isso? Onde quero chegar? Será que as pessoas conseguirão me entender? Cada dia é diferente, eu escrevo e depois penso no que escrevi como uma espécie de auto-crítica. Não porra, é isso mesmo. Ai eu penso, devo estar ficando louco. Um dia estou mais reservado e até poupo um pouco as pessoas, em outro estou melancólico e sento o cacete sem pena. Será que é isso que somos? Idiotas mudando de opinião de cinco em cinco minutos. Acho que todo o vinho e os baseados que fumei acabaram um pouco com essa minha trava de pensamentos. Eu penso mais do que tudo nessa vida. Talvez por isso seja tão infeliz, fico pensando no mundo e toda sua podridão. Penso em cagar e mijar e acho escroto. Penso no dinheiro e como ficamos limitados por sua causa, apenas papel, é isso, fomos escravizados pelo papel"...